Pesquisa realizada pela Polo Pesquisas, em meados deste mês, revela que 42,75% dos trabalhadores comerciários entrevistados são contra o trabalho nos feriados, enquanto que 30,50% se dizem a favor e 26,75% são indiferentes. A pesquisa ouviu 400 comerciários, considerando um universo de 23.489 comerciários e 6.171 estabelecimentos comerciais na cidade, conforme o Caged de janeiro deste ano, e tem margem de erro de 4,8%, e foi apresentada pela diretoria do Sindicato dos Empregados do Comércio de Piracicaba, na tarde desta segunda-feira, 28 de outubro, em entrevista coletiva à imprensa.

Considerando este universo de trabalhadores entrevistados, sendo 74,25% do sexo feminino e 25,75% do sexo masculino; 65,5% com idade entre 18 e 34 anos, e 76,5% com ensino médio incompleto, e 46,50% com mais de cinco anos no setor, o diretor da Polo Pesquisas, Paulo Ricardo Gomes, diz que isso representa mais de 10 mil trabalhadores que são contrários ao trabalho nos feriados, número que pode aumentar, caso ocorra a retirada de benefícios para o trabalho extraordinário nestes dias. É que dos entrevistados, 67,75% disseram ser justo o valor que ganham atualmente para o trabalho no feriado, que é de horas extras de 100%, uma bonificação e folga compensatória, enquanto que 19% consideraram inferior ao adequado. “Com certeza, se atendermos o pedido apresentado pelo Sindicato do Comércio Varejista, nas negociações da campanha salarial, de redução dos benefícios para o trabalho em feriados, com certeza, o percentual de insatisfação só irá aumentar e, portanto, somos contrários”, avisa o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, Vitor Roberto, que encomendou a pesquisa.

Sua tese é reforçada em função de que dos que se disseram ser favoráveis ao trabalho nos feriados, 47,54% disseram que é para “ganhar mais dinheiro” e 23,77% para “aumentar as vendas”. “Isso é uma demonstração de que mais de 70% são favoráveis ao trabalho nos feriados para aumentar a renda, enquanto que 46,20% querem usar o feriado para descanso; 12,87% para ficar com a família e 10,53% porque não tem movimento no comércio”, completa Vivian Previde, advogada do sindicato e que integra a comissão de negociação da entidade.

Na pesquisa, que ouviu comerciários nas regiões central, Dois Córregos, Paulista, Santa Terezinha/Vila Sônia, Shopping Center Piracicaba e Vila Rezende, também mostra que 74,50% deles não recebem nenhum benefício além do salário, que na cidade tem média de R$ 1.604,36. A pesquisa revelou que a categoria quer mais benefícios nas negociações da campanha salarial, sendo o plano de saúde pleiteado por 15,75%, enquanto que o aumento nos salários foi apresentado por 14,75% e a cesta básica por 10%. Atualmente, dos 25,5% que disseram que recebem benefícios, além do salário, apenas 10,25% responderam que recebem o vale-refeição, enquanto que 7,50% a cesta básica; 5% o plano de saúde e 2,75% a assistência odontológica.

A pesquisa mostra ainda que 72,25% são da raça branca; 17,75% parda; 9,25% preta; 0,50% amarela e 0,25% indígena. 88,75% dos comerciários se disseram satisfeitos com a profissão e 78,75% se sentem estabilizados no emprego. Já 71,75% se dizem satisfeitos na relação com o patrão e 20,25% muito satisfeitos. Dos que disseram que pretendem deixar o setor, 52,11% em função do baixo salário e por desejar um emprego melhor.